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Psicologias e afins

Sabem qual foi a pior parte do dia de hoje? O que me fez sentir pior, em tudo isto? É que quando a senhora me disse ao telefone o que achava estar mal, a primeira coisa que pensei foi "Eu não sirvo mesmo para isto, já errei outra vez". Pois é, tive logo a certeza de que a culpa era minha. Quando cheguei a casa e fui ver o que fiz, apercebi-me de que até nem cometi erro nenhum e foi ela a interpretar mal. Mas é preocupante. É preocupante o facto de eu estar sempre disposta a acreditar que sou uma nulidade. É triste.
Há um momento no filme "Lua Nova", com que eu me identifico imenso. Provavelmente a maioria das pessoas até nem ligou muito a essa fala, ou nem a fixou, mas a mim ficou, porque traduz muito do que eu acho. Então, há um momento em que a Bella diz ao Jacob "Eu nunca vou funcionar direito." Ela diz que há um buraco, um vazio no peito, que nunca poderá ser curado. Comigo também é assim, acho sinceramente que nunca vou funcionar a 100%. Em psicologia apendemos que somos o produto de uma série de coisas, nomeadamente as nossas experiências de vida. Na prática, nos meus casos, analiso minunciosamente a história de vida dos meus clientes, à procura de algo que justifique o problema que eles têm agora. E note-se que trabalho com crianças, que portanto têm uma história de vida ainda muito curta. É espantoso constatar que ainda assim, por muito pouco que ainda tenham vivido, a semente do problema está lá, em qualquer coisinha, às vezes um simples pormenor, que leva a que agora exista um problema. É chocante mesmo, o quão podemos ficar marcados pela vida, o quanto uma coisinha de nada pode alterar todo o nosso funcionamento. Isto tudo para explicar que comigo foi assim. Um monte de coisinhas de nada, que durou 6 anos, e que me deixou com este vazio por preencher... e que me deixou com todas estas dúvidas que nos melhores dias consigo calar, mas que nos restantes estão sempre a fazer-se ouvir. Nunca vou funcionar bem, e este vazio nunca vai ser preenchido. Ainda houve uma altura em que eu acreditava que poderia, que eu poderia ultrapassar completamente, e nos bons dias ainda me consigo convencer que estou bem, que estou a avançar. Mas nos outros, nos dias que deviam ser normais e quando eu menos espero, acontece outra dessas pequeninas coisas, que não deviam ter qualquer importância... caramba, que não têm importância nenhuma! Mas que, ainda assim, apesar da sua insignificância, fazem com que volte a doer. E não me deixam esquecer. Porque, não nos iludamos, eu não esqueço nada.

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