
Já foi tudo tão mais simples... Esta semana faço 22 aninhos, por isso ando nostálgica. Não que fazer anos seja assim tão importante para mim (refiro-me, claro, ao dia específico). Acaba por ser só mais um dia... Mesmo assim, não deixa de ser um marco importante, um motivo (mais um!) para estar profundamente grata (e estou). Mas, como dizia, fico nostálgica, particularmente em dias como este, em que já escurece mais cedo, está a chover... e dou mais um dia por terminado. O tempo passa mesmo, não é? É uma constatação estúpida e já gasta, mas que é que eu posso fazer, às vezes bate forte. Lembro-me de dias inteiros a fazer bolos de lama (nada de pânico, já foi há muitossss aninhos, não sou assim tão maluca... ou sou?) com as primas e com a manita, dias em que a única preocupação (geral) era "E agora, brincamos a quê?". Ou "Há mais terra?" (ok, esta última era uma piada). Também passámos aquela fase em que achávamos que sabíamos cantar (gostava muito de poder dizer "Eu não, eram só elas", mas estaria a mentir) e até gravávamos cassetes! Aí a única preocupação era "Quando é que gravamos a próxima?" ou "Temos canções suficientes?". Claro, a fase das Barbies (onde isso já vai) em que as discussões giravam em torno da questão fundamental "Quem fica com a que fala? Ou com a bailarina?". Garantovos que era motivo para uma boa e saudável discussão e dias de guerra fria!
Depois, os grandes marcos, aqueles que ficam sempre. O dia em que o meu avô morreu... e eu sabia assim que acordei, antes de me dizerem; o dia em que soube que as minhas primas iam viver para muito longe; o dia em que percebi que, por mais que quisesse e tentasse, as coisas não iam voltar a ser como eram, as pessoas mudavam, mesmo que não quisessem; o dia em que percebi que simpatizava com certo rapaz; o dia em que percebi que era mais que simpatia (se é que me entendem); o dia em que percebi que ele não era quem eu pensava e em que deixei de acreditar e assumi o meu erro...e o dia em que jurei nunca mais; o dia em que ganhei a minha melhor amiga...e o dia em que a perdi e voltei a perceber que as pessoas não são sempre o que nós achamos, por mais que queiramos (e às vezes, muitas, nem têm culpa); o dia em que terminei o secundário e o dia em que percebi que tinha mesmo de deixar algumas coisas irem, pura e simplesmente; o dia em que entrei pela primeira vez na Universidade e me senti mais perdida que nunca... e o dia em que me encontrei novamente;o dia em que conheci uma das minhas melhores amigas actualmente (deve ser das poucas com que não me enganei); o dia em que fiz "amigas"... e o dia em que percebi que não podia estar mais enganada e quis poder desaparecer daqui; o dia em que percebi que adoro o meu curso; o dia em que fiz novas amigas a sério e me senti bem. O primeiro dia de estágio, em que confirmei que é isto que quero fazer... o dia de hoje, em que ri, chorei, desesperei e voltei a ter esperança... Agora digam-me lá se não somos seres fascinantes, capazes de tanto! Digam lá se não vale a pena aproveitar cada segundo... e ai de quem me diga que milagres não existem! A sério? Não vêem? Não estão a olhar bem. Pode ser mais ou menos evidente, mas garanto que está aí. Vê melhor.
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