Avançar para o conteúdo principal

Não desistimos

Há dias em que acordamos sem saber de nós mesmos. Há dias em que o Mundo, a Vida, custa. Dói. Há dias em que não temos palavras para descrever o que sentimos. Há dias em que nos sentimos tão perdidos, tão sem chão, que tudo custa. Há dias em que não temos motivação para fazer seja o que for, em que nem temos gosto em nada. Há dias. O que é que fazemos nesses dias? Choramos. Berramos. Atiramos com coisas. Escrevemos. Lemos. Ouvimos música. Pintamos. Desenhamos. Corremos. Fazemos o que quer que seja que nos ajude a recuperar, a juntar os pedacinhos, a continuar a caminhar, a crescer. Não desistimos. Podemos desistir um bocadinho, todos temos dias desses, em que não apetece mexer. Mas continuamos. Apoiamo-nos em quem gosta de nós, apoiamo-nos nas coisas que gostamos de fazer, que nos fazem sentir vivos.

Porque há crianças a morrer, por causa de guerras. E há famílias que não têm o que comer. Há pessoas que acordam sem esperança nenhuma, no meio do caos. Há crianças a morrer de cancro, quando ainda têm tanto para viver. Isto é o pior. Temos que pegar na vida que Deus nos deu, para sermos o melhor de nós mesmos, para darmos mais ao Mundo, para fazermos a nossa parte. Não desistimos.

Há dias em que acordamos, e tudo dói. Mas depois há dias em que está sol. Há dias em que sorrir é fácil, pura e simplesmente. Há dias em que a música certa dá no rádio. Há dias em que recebemos a resposta que esperávamos há tanto tempo. Há dias em que alguém sorri para nós. Há dias em que nos sentimos cheios de gratidão, de ternura, de paz, de amor, de esperança. Há dias em que encontramos, de repente, a pessoa por quem estávamos à espera, sem saber. Há dias em que tudo faz sentido. Como é que podemos ignorar isto? Não podemos. Temos que lutar, temos que continuar. É isto que as pessoas lutadoras fazem.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

"The world was a terrible place, cruel, pitiless, dark as a bad dream. Not a good place to live. Only in books could you find pity, comfort, happiness - and love. Books loved anyone who opened them, they gave you security and friendship and didn't ask anything in return; they never went away, never, not even when you treated them badly." "there was another reason [she] took her books whenever they went away. they were her home when she was somewhere strange. they were familiar voices, friends that never quarreled with her, clever, powerful friends -- daring and knowledgeable, tried and tested adventurers who had traveled far and wide. her books cheered her up when she was sad and kept her from being bored" Um livro que li num instante e que me recordou uma série de coisas, sobretudo a razão de eu gostar tanto de livros, porque é que leio tanto. Já algumas pessoas me perguntou isto, mais ou menos seriamente. A partir deste momento, vou começar a dizer a essas ...