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Neste momento...

Estou triste, sabes? E neste momento não sei se quero falar contigo... Não é nenhuma forma de te castigar, não tenho razões para isso. Mas não sei que te diga, tenho receio de ter gasto as palavras todas ontem. Estou muito, muito cansada disto tudo. De ter que me esforçar. Para andar. Para sorrir. Para falar. Para confiar. Para tentar mais uma vez. Queria tanto que compreendesses... O quanto isto me custa, o que é sentir o chão desaparecer completamente e sentir-me tão, tão perdida. Ontem disse-te que estou segura por um fiozinho. Esse fiozinho és tu. Se chegar ao fim disto, eu sei que o devo quase completamente a ti, por isso dói que me digas que achas que não me estás a ajudar. Mas quando esse fiozinho começa a estremecer, como ontem, fico completamente à deriva, sinto-me sozinha. E neste momento não tenho sequer força para falar. Desculpa. Tu pedes-me desculpa, quando não tens que o fazer. Eu é que devia pedir desculpa. Porque tu não te vais embora, e eu estou sempre à espera que o faças (se fosses mesmo, não sei que seria de mim). Porque tu não consegues entender, porque somos diferentes, e eu às vezes fico ressentida com isso. Tento não ficar, mas fico. Tenho receio de já ter dito tudo o que posso dizer, de não poder dar mais do que o que já dei. Tenho receio de ter dado demasiado, e não ter restado nada... Estou triste, sabes? E neste momento não consigo falar contigo...

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Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

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