Caminhamos para o final do primeiro mês de 2014, e só agora é que reparei que este ano ainda não tinha escrito aqui. Não que não tenha nada para escrever, ou que não queira, mas vamos adiando... e o tempo passa (quando não queremos, claro, porque quando queremos...).
Passa-se tanta coisa neste momento, que nem sei por onde começar. Digamos que este ano me assusta. É o ano em que é suposto terminar e defender a minha tese, o que não se prevê ser um processo fácil. Olho para trás e fico sempre surpreendida por tudo o que já fiz, por tudo o que já consegui alcançar, coisas que não me via como sendo capaz de fazer. Mas também olho para trás e vejo uma pessoa que não era tão ansiosa, tão stressada, tão disfuncional, em alguns sentidos, como a pessoa que sou hoje. Porque, convenhamos, a minha relação com este doutoramento não é funcional, há muito tempo. Não desisti, porque é uma questão de princípio, é pessoal, mas principalmente pelos problemas que isso ia trazer à minha família. A verdade é essa. Não gosto de me ver como uma desistente, mas a verdade é que ao longo destes pouco mais de dois anos passou-me muitas vezes pela cabeça desistir. Estou a crescer, como pessoa e (esperemos) como profissional, mas também cada vez mais carrego comigo o peso do mundo. Sempre tive tendência para fazer isso, mas tem piorado. E isso cansa. Gosto de pensar que quando isto acabar, se tudo correr bem no final deste ano, isto vai passar, e eu vou voltar ao tão falado "normal". Mas receio que esse regresso não seja possível... começo a estar tão habituada a duvidar do que faço, da minha competência (ao ponto de ter "medo" de enviar e-mails!!), que tenho receio que isso se torne parte de mim. E não podemos viver com medo de falhar, com medo de não chegar lá... podemos? Bem, eu estou a viver. Pedem-me para ter confiança, para ter "espírito crítico", mas se soubessem o quão difícil isso é depois de um ano a ouvir e a sentir que nunca está bem, que falta sempre qualquer coisa... Experimentem viver um ano assim, um ano em que tudo o que fazem é posto em causa, e vejam como se sentem. Uma desilusão. O pior de tudo: eu gostava muito disto, achei que era um mundo no qual me daria bem. Parece que estava enganada. Parece que o Mundo anda tão corrompido pelo "quero o que o outro tem" e pelo "quero ser melhor que o meu vizinho", que nada escapa. E já sei, vão haver problemas com pessoas onde quer que vá, depois disto será outra coisa qualquer. Mas, por favor, deixem-me sentir desiludida, também tenho direito. O mais triste é acordar todos os dias com este peso nos meus ombros, sentar-me para trabalhar e sentir que, a cada dia que passa, deixei mais um bocadinho da minha motivação e do meu gosto pelo trabalho para trás. A cada dia que passa trabalho mais para "acabar" do que para começar alguma coisa nova. Trabalho mais para "controlo de danos", para minimizar as possibilidades de chegar ao fim do dia com um "está mal", do que para encontrar algo de novo. E quando assim é, quando o peso do mundo começa a ser superior às possibilidades que vemos nele... Bem, algo está errado.
Caminhamos para o final do primeiro mês de 2014 e eu só penso que "já faltou mais". É suposto isso ser um bom sinal?
Felizmente tenho aquele cantinho seguro. Faz toda a diferença.
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