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Respirar



Há imenso tempo que não escrevo. O blog não tem dado para actualizar, e eu deixo passar. Quando vi que no meu último post ainda só tinham passado 3 dias… Bem, agora passaram muitos mais. Engraçado, não é? (Talvez não)
Não sei o que achar de tudo isto. Tem acontecido tanta coisa… E ao mesmo tempo não acontece nada. Vim para aqui porque era uma coisa que nunca tinha achado que conseguiria fazer. Porque sabia que precisava disto para aprender, para crescer. Porque não tinha nada que me prendesse. Bem, acho que tenho crescido. Acho que no geral, dadas as circunstâncias, até me tenho aguentado muito bem. Não voltei a ter “sintomas”, era o meu receio. Acho que isso quer dizer que está tudo controlado, certo? Está tudo controlado.
Tenho momentos menos bons, claro. Acho que é o problema, quando começamos a habituar-nos a não estar sozinhos. Precisei de 7 anos para saber estar sozinha, para conseguir entender e ultrapassar as minhas desilusões, para saber dar novas oportunidades. À vida, aos outros, a mim mesma. E de repente, sem eu saber como, deixo de estar sozinha. E agora? Vêm as expectativas, sempre as expectativas. Aquelas que eu tentei evitar estes anos todos. De repente, voltei a esperar. Meio caminho andado para acabar como da outra vez. É triste, mas a verdade é que às vezes ainda dou por mim à espera que aconteça o mesmo. Ainda sustenho a respiração, à espera do pior.
É aqui que entras tu. Como? Não sei. Passaram quase 5 meses, e eu ainda não sei. Dizes que eu sou surpreendente, mas tu estás a surpreender-me desde a primeira vez em que falei contigo. Estás a surpreender-me neste momento. Surpreendeste-me quando me fizeste perguntas e querias saber a resposta. Quando me levaste a falar, na primeira vez em que estive contigo. Com a forma como reagiste quando eu disse que acreditava em Deus. Com a forma como tratas os outros. Com a forma como lidaste com a história toda que te contei. Com a tua reacção quando eu disse que tinha que vir para Londres. Com o facto de eu estar aqui há quase 2 meses e não ter havido um único dia em que não tenhamos falado.
Às vezes não sei o que é que fiz para merecer isto, para tu apareceres na minha vida. Dizes que sou muito boa pessoa, mas não é verdade. Faço por isso, sim, mas a maior parte dos dias não chego nem de longe nem de perto à pessoa que devia ser. E esse é um dos pesos que carrego comigo. O de ainda não ter chegado lá. Gostava de conseguir falar contigo sobre estas coisas, gostava de não sentir este peso que nem falar me deixa, mas a verdade é que também ainda não cheguei aí. Não és tu, sou eu. Há hábitos que custa muito a perder, e eu estou habituada a guardar as coisas para mim. Foi sempre assim com os meus pais, as pessoas mais importantes da minha vida. Foi sempre assim. E às vezes acho que nunca vai deixar de ser assim. Gostava de te dizer que às vezes me sinto muito sozinha aqui, apesar de tudo o que tens feito (e tens feito muito, tens ajudado tanto, acho que não tens noção do quanto significa para mim o teres estado sempre aí). Mas eu estou sozinha. Perguntaste-me, já mais que uma vez, se fosse agora se eu vinha para Londres. Disse-te que não sabia. Mas a verdade é que não vinha. E a verdade é que não vinha porque antes não tinha muito que me prendesse a Braga, e agora tenho. A diferença és tu. E se por um lado isso me deixa muito feliz, por outro lado tenho medo de estar a prender-me demasiado a ti. Não gosto de sentir que começo a depender de ti, de estares lá para mim. E sei que estou a começar a fazer isso. Pensei que tinha crescido, que tinha mudado, que conseguia manter limites. Mas acho que não consigo, se calhar sou mesmo assim. Sabes que às vezes me sinto tão sozinha que não consigo respirar?

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