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Daqueles dias em que parece que está tudo perfeito... até deixar de estar

Não sei. Pensei que já não me custava tanto, pensei que tanta coisa estava já para trás... Bem, não está. Hoje é daqueles dias em que está um dia lindo lá fora, em que tenho o dia ocupado... e em que me apercebo do quão sozinha estou. E não, não é por estar sozinha em casa uns dias. Já estive, e não me custou, até gosto. Mas há dias em que somos inevitavelmente confrontados com a nossa solidão, e mais nada. Hoje é um desses dias. Em que me apeteceu dizer-lhes "Por favor, levem-me convosco, não quero ficar aqui assim, quero voltar atrás". É engraçado (ou não), mas há dias em que precisamos mesmo de chorar e não conseguimos. E depois há dias em que não queremos, mas não conseguimos não o fazer.

Repito: não sei. Não sei o que fazer. Não sei o que pensar. Não sei como ajudar, a minha família, os meus amigos, a mim mesma. Queria acordar e sentir-me bem, mesmo bem. Acontece, mas não tantas vezes como devia acontecer. Queria a simplicidade de quem eu era. Alguém que ficava perfeitamente feliz (sim, feliz) a jogar um jogo de computador, a ver um filme, a ler um livro. Estes dias tive um vislumbre dessa pessoa, por algum tempo voltei a ser ela... Ri com vontade, esqueci tudo o resto. Agora... Bem, agora a realidade chama. Agora voltam os filtros, as paredes... Agora sou só eu, outra vez.

E acho que percebo o que pode levar uma pessoa ao desespero total, a não conseguir sentir mais nada a não ser solidão e tristeza, a deixar de ser ela mesma para não ser nada, não querer ser nada. Acho que percebo. Só gostava de poder ajudar. A perceber que embora esses dias existam, continuam a haver dias para ser melhor. A esperança continua...

E ontem lembrei-me. Dia 12. Como é que me posso esquecer? Porque queria, mesmo... 7 anos.

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