Foi um dia estranhamente bom. Já não estou zangada, para começar. Parece que ontem, com o exercício e a "meditação" consegui expulsar os demónios todos do sistema. Óptimo. Detesto estar zangada, consome muita energia e não ajuda em nada. Mas não esqueci, claro, e mantenho a minha decisão de me afastar. Não é uma estratégia muito boa, mas estou cansada de me prestar ao papel de parva, por isso... e é melhor que ter pena de mim mesma. Tenho muita coisa em que me focar agora, estou a terminar a tese, tenho as defesas para preparar, a minha família em que pensar... Chega bem.
Com tanta coisa, claro que bateu também nostalgia. Acabei a ver fotografias daqueles dias. Claro que vi fotografias tuas, eram logo as primeiras. E sabes que mais? Não doeu, nem senti nada. Lembro-me de pegar naquelas fotografias e só olhar para nós reabria as feridas todas. Hoje não. Acho que já não sinto tantas saudades tuas. Não é bom? Tenho saudades da ideia que tinha de ti e, acima de tudo, tenho saudades de me sentir como naquela altura. Na maioria dos dias, doía como tudo, parecia que o mundo ia acabar... mas depois havia aqueles muitos momentos, em que eu sorria e sentia o sorriso. Em que eu sentia, ponto. É disso que tenho saudade, de sentir. De resto, olhar para ti naquela foto foi olhar para uma imagem de alguém que perdi há muito, muito tempo. Alguém que nem tenho a certeza de ter existido. Para todos os efeitos, vou ficar a pensar que sim, que não foi só ilusão minha, está bem? Estavas sempre a dizer-me que o meu maior defeito era focar-me só no negativo, aumentar isso e ignorar tudo o que acontecia de bom. Tinhas toda a razão. Arrependo-me de não ter sabido ver na altura. E ainda sou assim um bocadinho, pelo menos tenho sido. Estou a tentar mudar isso também. Obrigada. Por me teres feito tão feliz, apesar de tudo. Porque se não fosses tu, eu não tinha mudado tanto, não tinha crescido. Acho que daqui para a frente, talvez não precise de escrever tanto para ti... Já não estás tão presente... Não é adeus, porque não tenho a ilusão de que vais desaparecer da minha vida. Houve uma altura em que era isso que queria, mais do que tudo. Agora sei que vais sempre ser parte de mim, ainda que não tenhas noção disso. Vão haver dias em que vou lembrar-me mais de ti, em que vou ter saudades de "nós" e vai doer como o raio... mas acho que consigo viver com isso. O importante é que eu deixe de me sentir culpada de cada vez que me lembrar de ti, que eu me consiga perdoar. E sabes que mais? Acho que estou a conseguir. A cada dia que passa, custa um bocadinho menos...Por isso, adeus não. Até breve....
Comentários
Enviar um comentário